Sim, 32 reais bem gastos (ganhei de presente). Nada trouxe um aumento de dopamina maior em mim nesses últimos dias do que entupir esse jogo de add-ons de memes brasileiros. Toda vez que pego um item ouço o Jailson Mendes falando "eu quero vain!", ao atirar nos meus amigos ouço o Alborghetti me xingando: "SUA VAGABUNDA, CAPIVARA!". Quando enfrentamos o Tank uma música inspirada em Interstellar do Jailson Mendes simplesmente angelical começa a ser tocada, minha lanterna é o rosto do macho peludo, Bolsonaro e Lula lutam na mesma equipe para sobreviver ao apocalipse zumbi, com direito à algumas de suas falas sendo reproduzidas durante a gameplay, quando aquele zumbi gordão que o nome escapou-me da memória explode ouço o Jailson Mendes gemendo "AAAAAAAAAAI!!!", quando tank nos acerta com uma pedra é possível ouvir o som de pancada do Chaves, e pra fechar com chave de ouro quando eu morro eu ouço risadas do Chaves me humilhando.
Half-Life 2 é mais do que tiro, puzzle e física avançada. É uma reflexão disfarçada de jogo. Gordon Freeman nunca fala, mas diz muito. Ele é o símbolo do sujeito moderno: jogado num mundo quebrado, onde a ordem serve só pra oprimir, e mesmo assim ele segue, calado, fazendo o que precisa ser feito. A Cidade 17 é o retrato de uma distopia realista. Não é só ficção científica... é crítica social. É sobre controle, medo, e como até a tecnologia pode ser usada pra desumanizar. Mas o jogo mostra também que até num lugar assim, ainda dá pra resistir. Às vezes com uma arma, às vezes só com uma alavanca ou um objeto puxado com a gravity gun. Não existem escolhas explícitas no jogo, mas a própria jornada de Freeman já é um ato de liberdade. Sem precisar falar uma palavra, ele nos lembra que resistir também é um jeito de existir. E que até no silêncio, dá pra gritar.