Tenho 25 anos e hoje joguei esse jogo… não imaginava que algo tão simples pudesse mexer tanto comigo. Enquanto jogava, lembrei do meu irmão que perdi quando éramos crianças. Era ele quem sempre me chamava para jogar, quem me ensinava os truques e ria das minhas derrotas. Esse jogo trouxe de volta aquela sensação de estar ao lado dele, como se por alguns minutos a gente tivesse se reencontrado. Não é só um jogo, é uma lembrança viva que carrego comigo.
Half-Life 2 é mais do que tiro, puzzle e física avançada. É uma reflexão disfarçada de jogo. Gordon Freeman nunca fala, mas diz muito. Ele é o símbolo do sujeito moderno: jogado num mundo quebrado, onde a ordem serve só pra oprimir, e mesmo assim ele segue, calado, fazendo o que precisa ser feito. A Cidade 17 é o retrato de uma distopia realista. Não é só ficção científica... é crítica social. É sobre controle, medo, e como até a tecnologia pode ser usada pra desumanizar. Mas o jogo mostra também que até num lugar assim, ainda dá pra resistir. Às vezes com uma arma, às vezes só com uma alavanca ou um objeto puxado com a gravity gun. Não existem escolhas explícitas no jogo, mas a própria jornada de Freeman já é um ato de liberdade. Sem precisar falar uma palavra, ele nos lembra que resistir também é um jeito de existir. E que até no silêncio, dá pra gritar.