Esse é o jogo da minha vida. Eu… acho que poderia falar inúmeras coisas sobre ele. Como ele tem um dos universos que, pra mim, são dos mais ricos de toda a história da indústria de jogos de zumbi. Como, muitas vezes, eu descobria coisas novas graças à comunidade desse jogo. E como cada um dos personagens apresentados (tanto os do L4D1 quanto os do L4D2) são maravilhosos. A estética, os cenários… tudo reflete muito bem tanto a ideia de um apocalipse redneck triste, quase dramático, quanto a de algo totalmente engraçado e cooperativo. Mas… pra mim esse jogo significa algo mais. Bons tempos. Eu sou meio apegado a eles (de acordo com os idiotas que me viam jogando isso aqui). Mesmo assim, esse jogo me deixou satisfeito por muito tempo. Hoje tenho muitos outros à minha disposição. Na verdade, nem tempo eu tenho direito pra jogar alguma coisa. Mas quando eu tinha… eu gastei cada minuto aqui. E, Deus… eu adorei cada maldito minuto. Seja passando raiva com a Workshop, sofrendo crashes por instalar 99.999 mods de uma vez, ou simplesmente me divertindo e xingando com meus amigos até altas horas da noite — antes de levar uma surra da minha mãe. Esse jogo faz parte das minhas boas memórias. Não que fosse tudo, mas é inegavelmente parte do meu hall de jogos preferidos. Um daqueles que eu tatuaria na testa se não tivesse um mínimo de bom senso (provavelmente eu teria feito isso antigamente). Enfim… esse daqui é e sempre vai ser um dos melhores jogos que já joguei. E, o mais importante, uma das minhas melhores memórias. Pela prática. Pela diversão. E pelas pessoas. Now, Gabe Newell… learn to count to three, damn it. Or I’ll shit on your door.
Half-Life 2 é mais do que tiro, puzzle e física avançada. É uma reflexão disfarçada de jogo. Gordon Freeman nunca fala, mas diz muito. Ele é o símbolo do sujeito moderno: jogado num mundo quebrado, onde a ordem serve só pra oprimir, e mesmo assim ele segue, calado, fazendo o que precisa ser feito. A Cidade 17 é o retrato de uma distopia realista. Não é só ficção científica... é crítica social. É sobre controle, medo, e como até a tecnologia pode ser usada pra desumanizar. Mas o jogo mostra também que até num lugar assim, ainda dá pra resistir. Às vezes com uma arma, às vezes só com uma alavanca ou um objeto puxado com a gravity gun. Não existem escolhas explícitas no jogo, mas a própria jornada de Freeman já é um ato de liberdade. Sem precisar falar uma palavra, ele nos lembra que resistir também é um jeito de existir. E que até no silêncio, dá pra gritar.